De visita a Cascais

Rita Roque • 29 de julho de 2024

Cerâmica Modernista - SECLA

Um livro está aberto em uma página com a imagem de um vaso

Hansi Stael

Nasceu em Budapeste em 1913 e faleceu em Londres em 1961.

Veio para Portugal em 1946, onde aperfeiçoou os seu vários talentos artísticos - pintura, cerâmica, artes gráficas, ilustrações, vidro, frescos - uma linguista e uma pensadora - tendo-se tornado uma artista portuguesa.

Escrever sobre a obra pictórica de Hansi Stael será como descrever um tempo na historia de Portugal, em que as experiências e transformações são um tempo de absorção sobre a arte e a representação artística que se fazia na restante europa dos anos 50 do pós guerra.

A modernidade latente na obra de Hansi Stael foi, de certa forma, uma recusa dos cânones tradicionais e das formas académicas patentes no séc.XIX em alguns meios artísticos.

Na sua obra observamos a representação do corpo humano liberto numa expressão artística que nega e se opõe ao naturalismo cru, a sua obra esta repleta de parâmetros diversos desta época e da herança contundente dos artistas e manifestos artísticos e filosóficos entre guerras e depois delas.

A geometrização das formas e a sua abstração são características da sua obra traduzindo-se na simplificação das formas que viu e reproduziu na sua plasticidade, entretanto Hansi Stael não esteve ou não consegui estar indiferente ao convívio, ás lembranças da sua terra natal, á luz que cá encontrou, bem como ás gentes e costumes desta terra portuguesa.

Hansi Stael sempre praticou um exercício de liberdade na sua expressão pictórica com um grande cromatismo ou  ausência dele, sem abandonar uma qualidade estética inegável.

Na leitura da sua obra pictórica, fica o registo evidente da sua observação dos ofícios tradicionais, de uma cultura popular sem ser populista e dos diversos estratos sociais que encontrou em Portugal e que trouxe consigo, interiorizando-os na sua essência enquanto pessoa e artista. Os temas folclóricos e de cariz popular encontraram na sua obra uma vasta ressonância, nos costumes deste país que escolheu e que a acolheu.

O mar e as gentes que dele vivem e sobrevivem fazem parte constante do objeto da sua expressão artística e uma profunda exploração plástica nos seus desenhos, pintura, na sua arte em geral sem restrições ou ligações ao regime vigente em Portugal naquela época.

A obra de Hansi Stael encontra um eco verdadeiramente moderno e cosmopolita, manifesto na sua obra criativa e plástica, um conceito, uma ideia ou até mesmo um estado de espirito na sua maneira peculiar de ver o que a rodeava e o seu verdadeiro significado.

Hansi Stael usou o seu conhecimento e técnicas diferentes e diversas na sua imagética plástica.

Em 1946 mudou-se para Portugal e foi aconselhada pelo arquitecto Leonardo Castro Freire a especializar-se em cerâmica que, no mundo das artes, era a única forma de ganhar a vida em Portugal. Apresentou-a à fabrica Viuva Lamego, e ao fim de seis semanas fez uma exposição cujos os trabalhos se venderam na totalidade, tento logo a seguir feito nova exposição no SNI ( secretariado Nacional de Informação). Stael trabalhou então com João Fragoso, tento leccionado cerâmica e trabalhou igualmente na fábrica Sant'anna.

Em 1950 Stael começou a trabalhar na Secla, nas Caldas da Rainha, onde posteriormente passou a diretora artística, promovendo inovações na produção da fábrica com a introdução de desenhos modernos. Durante esse período, trabalhava duas semanas por mês na Secla e as outras duas semanas em Lisboa.

Foi um dos membros fundadores da GRAVURA (cooperativa der gravadores portugueses), tendo produzido muitas litografias, serigrafias e gravuras.

Continuou a fazer experiências com outros materiais e produziu frescos tradicionais para casas particulares, restaurantes e para o cinema Restelo.

A isto dever-se-ão os vitrais da igreja matriz de Alter do Chão, no Alentejo, bem como alguns trabalhos na fabrica de vidro da Marinha Grande.

Até à sua morte prematura em 1961, de esclerose múltipla, continuou a trabalhar na secla e a pintar em Lisboa pois sempre disse que " a pintura é a única coisa que interessa".


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